Por que o tubarão-branco morre em poucos dias no aquário?

Por que os tubarões brancos morrem em poucos dias no aquário

Se grandes baleias orcas podem ser mantidas em aquário, porque nunca vimos espécies de tubarão-branco nesses espaços? A resposta é bem simples – e deprimente: na grande maioria das vezes, esses animais morrem poucos dias depois de entrar nesses ambientes. 

A última tentativa de colocar um tubarão-branco em cativeiro foi no Japão, no Aquário Churaumi de Okinawa, em 2016. O animal morreu depois de três dias

A primeira tentativa que se tornou pública foi no oceanário Marineland of the Pacific, uma atração turística da Califórnia, na década de 1950. Em menos de 24 horas, o tubarão estava morto. 

O SeaWorld, em Orlando, também tentou abrigar esses animais ao longo dos anos. Mas, em todos os casos, ou o animal morria ou precisava voltar à natureza após poucos dias. O único lugar onde tubarões brancos viveram por mais de 16 dias foi no Monterey Bay Aquarium. Na verdade, eles permaneceram ali, vivos e saudáveis, por meses.

Faz sentido: o aquário da cidade de Monterey, na Califórnia, é um dos maiores de água salgada do mundo. É possível que o tubarão-branco tenha se dado melhor lá porque eles precisam de espaço para sobreviver – literalmente. 

Questão de espaço 

Com quase 6 metros de comprimento, esses animais precisam nadar constantemente para que a água passe por suas guelras e, assim, lhes dê oxigênio. Por isso, eles nadam longas distâncias quando estão na natureza. 

Em 2003, a tubarão fêmea Nicole foi e voltou da África para a Austrália – uma viagem de mais de 20 mil km – em apenas nove meses. A jornada foi documentada através de um localizador colocado no animal. 

Uma teoria sugere que o ambiente artificial dos tanques de vidro pode sobrecarregar ou confundir a eletrorrecepção dessa espécie de tubarão – percepção sensorial permite que eles detectem movimentos sutis e mudanças no ambiente marinho. Em um tanque, eles podem facilmente se confundir com outros estímulos, como as paredes transparentes e equipamentos eletrônicos que os cercam. 

Dieta

Outro empecilho para que esses animais não sobrevivam em aquários é a alimentação. Grandes tubarões-brancos são predadores arquetípicos, ou seja, eles só buscam comida quando estão à beira de morrer de fome. Mas, se alguma presa viva passar pela sua frente, eles jamais dispensarão o aperitivo. 

Em um aquário, isso não deve ser a coisa mais fácil e barata de se manter – e muito menos agradável aos olhos dos visitantes. 

Vale notar que, nas experiências com tubarões-brancos em cativeiro, muitos desses animais se recusaram a comer diariamente, o que fez com que a saúde se deteriorasse e morressem antes.

Percepção diferente 

A boa notícia é que, a partir da década de 1990, a percepção do público sobre grandes animais marinhos em cativeiro mudou bastante. Essa diferença tem relação com o documentário Blackfish, que expôs as práticas do SeaWorld com suas orcas em cativeiro. 

Desde então, ver um grande tubarão-branco em um aquário não parece tão legal assim, ainda mais depois de saber todo o sofrimento que isso causa a esses animais. 

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